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Opinião

Você é um cristão que se sente livre?

Deus quer que sejamos cristãos maduros, que andam pelas suas próprias pernas, cientes das consequências de nossos atos e não servos que parecem marionetes.

Leandro Bueno

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Logo, quando me converti na década de 90, uma das coisas que mais me falavam é que eu seria livre quando me convertesse, pois quando estava no “mundo”, eu era um escravo. Tal discurso era (e é) quase um mantra cantado e falado. E aí, fiquei pensando se isso é fato na vida de muitos irmãos, quando ouvi dois relatos esta semana de duas pessoas próximas a mim.

A primeira me contava que adorou participar de um acampamento cristão no Carnaval, pois finalmente entendeu o que é a liberdade no Evangelho. Segundo ela, nas igrejas que havia frequentado, o Evangelho ali pregado se resumia apenas a um script de regras, do tipo “isso pode fazer” e “isso não pode fazer”.

Essa pessoa hoje, apesar de não ter perdido a fé, está sem frequentar uma igreja e procurando uma. De acordo com o que ela me falou, em um primeiro momento, ela achava que aquele monte de regras era algo vindo de Deus, quando passou a entender que muito do que nestes templos era falado era uma forma de tolher a individualidade das pessoas e ela sente como se tivesse perdido muito tempo de sua vida, buscando agradar a Deus, quando, na realidade, estava agradando a homens.

Por outro lado, um amigo me contava ontem, que passou por uma cirurgia de hérnia e devido a ela, não poderia usar determinado tipo de roupa, para ficar mais confortável no período da convalescença. Ele me falou que o líder de cédula da sua igreja começou a repreendê-lo, dizendo que ele deveria vir mais arrumado, com roupas melhores, para a igreja, a ponto deste meu amigo nem querer ir mais para a igreja tal era a insistência do líder.

O interessante é que antes mesmo deste amigo entrar para esta igreja em formato de células, eu já o havia aconselhado a não pertencer àquela igreja, pois outras pessoas que conheço me contavam da escravidão que era imposta por líderes de células ali. Estes líderes queriam dizer o que a pessoa devia fazer, não fazer, com quem deveriam namorar ou não, se relacionar ou não, etc. Ou seja, fazer dos liderados verdadeiros “soldadinhos de chumbo”.

Daí, a pergunta que aparece é: O que é então a liberdade tão falada de quem é de Jesus? E onde ela já vira libertinagem? A liberdade, diferente do que muitos pensam, não é você fazer tudo o que quer fazer, mas, sim, não fazer aquilo que você sabe que lhe faz mal.

Para isso, é necessário criar dentro de nós uma consciência, de saber que estamos agindo da forma como a Bíblia nos ensina, pois ela é caminho de vida para nós. Agora, se a coisa é apenas imposta por terceiros, sem a criação desta consciência, isso, na realidade, vira uma mera prisão, algo artificial.

Neste ponto, lembremos da narrativa do bezerro de Ouro na Bíblia, quando o povo judeu antigo, no deserto, depois de sair do Egito, onde esteve cativo por 490 anos, passa a adorar um bezerro de ouro e não a Deus.

Nesta narrativa, vemos como o ser humano quer, como regra, viver sem leis, sem limites, idolatrando os “bezerros de ouro” que vai criando ao longo da sua existência para preencher seu vazio existencial.

Daí, muitos se insurgiram quando apareceram as leis, os mandamentos que Moisés trouxe ao povo, depois de descer do Monte.

Concluindo, é nesta dicotomia entre liberdade x prisão que se faz mais que necessário entender que o Evangelho é LIBERDADE, mas, tal consciência e compreensão somente são adquiridas, no momento em que colocamos os nossos olhos em Cristo e como ele agia, e não nos caprichos dos outros. Deus quer que sejamos cristãos maduros, que andam pelas suas próprias pernas, cientes das consequências de nossos atos e não servos que parecem marionetes.

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