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Suicídio interrompe ensaio brasileiro de vacina chinesa atacada por Bolsonaro

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O órgão regulador de saúde do Brasil suspendeu um ensaio clínico da vacina chinesa contra o coronavírus Sinovac devido a um evento adverso grave, deliciando o presidente Jair Bolsonaro, que criticou repetidamente a credibilidade da vacina e disse que ela não seria comprada por seu governo.

Suicídio interrompe ensaio brasileiro de vacina chinesa atacada por Bolsonaro
Foto: (reprodução/internet)

A agência reguladora de saúde do Brasil, Anvisa, suspendeu os testes

Alegando que o evento ocorreu no dia 29 de outubro, a Anvisa suspendeu os testes da vacina na noite de segunda-feira.

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O governo do estado de São Paulo, onde o julgamento está sendo realizado, disse que a morte de um voluntário do estudo foi registrada como suicídio e está sendo investigada. Um relatório policial sobre o incidente foi visto pela Reuters.

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A suspensão acendeu ainda mais as tensões entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, que atribuiu suas ambições políticas à vacina chinesa que pretende implantar em seu estado já em janeiro, com ou sem assistência federal.

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Na terça-feira, a Anvisa disse que manterá a suspensão e não deu qualquer indicação de quanto tempo ela pode durar, acrescentando que precisa de mais informações sobre o incidente. 

Ele rejeitou qualquer sugestão de que o movimento foi politicamente motivado, dizendo que a decisão foi puramente técnica.

Os organizadores do julgamento criticaram a decisão da Anvisa, dizendo que não haviam sido notificados com antecedência e que não havia motivos para interromper o julgamento.

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Embora um voluntário do ensaio tenha morrido, isso não teve nada a ver com a vacina, disse Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, em entrevista coletiva na terça-feira.

“Tivemos um evento externo que levou à notificação do regulador”, disse Gorinchteyn. “Esta vacina é segura.”

Dimas Covas, chefe do instituto de pesquisas médicas de São Paulo Butantan, que está conduzindo o ensaio Sinovac, disse que a vacina não mostrou efeitos adversos graves. Falando na mesma entrevista coletiva, ele disse esperar que o julgamento seja retomado na terça ou quarta-feira.

A Anvisa disse que as informações iniciais que recebeu do Butantan não especificavam que a morte foi suicídio.

“Não tivemos escolha a não ser suspender os julgamentos diante do acontecimento”, disse o chefe da agência Antônio Barra Torres.

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A suspensão do teste pelo Brasil, um dos três grandes estudos em estágio final de Sinovac, e as consequências resultantes sublinham a atmosfera política cada vez mais difícil em torno do desenvolvimento e distribuição de vacinas em potencial.

O revés para os esforços da Sinovac contrasta com as boas notícias da Pfizer Inc, que disse na segunda-feira que sua vacina experimental COVID-19 é mais de 90% eficaz com base nos resultados dos testes iniciais.

Bolsonaro, um cético de longa data com relação à China, considerou a vacina contra o Sinovac sem credibilidade. Na manhã de terça-feira, ele disse em sua página do Facebook que a suspensão foi “mais uma vitória de Jair Bolsonaro”.

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Hu Xijin, editor-chefe do The Global Times, publicado pelo People’s Daily, o jornal oficial do Partido Comunista da China, disse na plataforma de mídia social Weibo: “Estou muito preocupado que a política e a busca excessiva de interesses econômicos sejam profundamente envolvidos na divulgação de informações sobre vacinas.

Uma porta-voz da Organização Mundial da Saúde tentou minimizar a política. “Eu não acho que você precisa tentar encontrar razões ou explicações além do fato de que as pessoas que procuram uma vacina … são muito cautelosas”, disse Fadela Chaib.

 

LINHA DE BATALHA POLÍTICA

A Sinovac disse em um comunicado em seu site na terça-feira que está confiante na segurança de sua vacina e continuará se comunicando com o Brasil sobre o assunto. 

Ela afirmou anteriormente que espera resultados provisórios dos testes em estágio final este ano.

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Não é fora do comum que os ensaios clínicos sejam suspensos por um tempo depois que um sujeito morre ou adoece, para que monitores independentes e organizadores do ensaio possam verificar se está relacionado ao medicamento que está sendo testado.

A vacina de Sinovac está entre as três vacinas experimentais COVID-19 que a China tem usado para inocular centenas de milhares de pessoas em um programa de uso de emergência. 

Um oficial de saúde chinês disse em 20 de outubro que nenhum efeito colateral sério foi observado nos testes clínicos.

Bolsonaro afirmou anteriormente que o governo federal não compraria a vacina, embora ele parecesse suavizar sua posição antes de sua postagem nas redes sociais na terça-feira.

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Sua postura estabeleceu uma clara linha de batalha política com o governador de São Paulo Doria, que disse que seu estado importará e produzirá a vacina. Já começaram as obras em uma fábrica com capacidade para produzir 100 milhões de doses por ano.

Espera-se que Doria desafie Bolsonaro na próxima eleição presidencial em 2022.

A Sinovac também almeja fornecer sua vacina experimental para outros países da América do Sul, terceirizando alguns procedimentos de fabricação para o Butantan.

Testes em estágio final também estão sendo conduzidos na Indonésia e na Turquia. A estatal indonésia Bio Farma disse na terça-feira que os testes da vacina Sinovac estavam “indo bem”.

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Quatro vacinas COVID-19 estão sendo testadas no Brasil, incluindo uma desenvolvida pela Oxford University com a AstraZeneca Plc e outra pela Johnson & Johnson.

A vacina da Pfizer, desenvolvida em parceria com a alemã BioNTech SE, está em fase final de testes envolvendo 3.100 voluntários em São Paulo e na Bahia.

Em todo o mundo, existem pelo menos 10 vacinas experimentais contra o coronavírus em testes clínicos em estágio final, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Quatro deles são da China.

Traduzido e adaptado por equipe O Verbo News

Fonte: Reuters

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