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Opinião

Sobre crentes que não creem em milagres

Você considera que Deus é grande, soberano e todo-poderoso?

Maycson Rodrigues

Publicado

em

Olive Heiligenthal. (Foto: Reprodução / Instagram)

Fiquei sabendo do caso da Kalley Heiligenthal, cantora e compositora da Bethel Music, tem pedido oração por sua filha, Olive, de apenas 2 anos, que foi declarada morta pelos médicos no último sábado (14).

Confesso: fiquei impactado e pensativo. Não tanto com o caso em si, mas com a minha própria capacidade de lidar com as adversidades.

Até que ponto é legítimo orar pela ressurreição de quem morreu e que você ama de uma maneira inexplicável, singular? Trata-se de egoísmo? Ou de um avivamento da própria relação com o Deus que declaramos com palavras e canções que é “Todo-Poderoso”?

Vamos lá. Você. Você considera que Deus é grande, soberano e todo-poderoso? Crê que a oração é o meio pelo qual Ele ordenou para que as coisas mudem? Crê que o impossível n’Ele é absolutamente possível? Então por que é errado clamar a Ele por um milagre físico, terreno, como aqueles que aconteceram nos dias de Jesus?

Preste atenção, caro leitor. A questão precisa ir para além do fato. Você e eu precisamos pensar no fato de que podemos ser crentes apenas de teologia e discursos vagos. Como assim que a fé não pode ser experiencial?

Eu não quero debater o que move a mãe orar por sua filha. Não quero discutir o nível de sanidade mental que há nesse casal e nas multidões que aderiram à campanha de oração pelo milagre da ressurreição da pequena Olive. Eu quero tratar neste artigo do pecado da incredulidade que está penetrando a alma dura do crente que é 100% racional, mas 0% sensível ao Espírito de Deus.

O Espírito de Deus, para você, é mesmo uma Pessoa Divina? Você crê mesmo que Ele é muito, mas infinitamente além de uma força que opera na criação? Então qual é o problema de pedir ao Espírito Santo que nos ajude a clamar por um milagre (Romanos 8.26)?

Eu sei que Deus nem sempre responde as orações porque, no fim das contas, é a vontade d’Ele que tem de prevalecer. Ele decretou a oração como um meio para que as coisas mudem; contudo, Ele permanece Deus para dar a última palavra.

“Do homem são as preparações do coração, mas do SENHOR a resposta da língua.” (Provérbios 16.1)

No entanto, cada um precisa pensar sobre a medida de produção da própria fé. Meu pastor, Neil Barreto, diz mui sabiamente que “é preciso muita fé para receber um milagre; porém, é preciso muito mais fé para quando o milagre não acontece”. Eu creio nisso. Só que a gente não pode ser meramente racional em cada circunstância negativa. Encontramos consolo também na fé.

“Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.” (2 Coríntios 1.4)

“Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.” (Hebreus 10.38)

Não como receber o consolo de Deus se a gente não tem fé em Deus.

O grande problema em torno destes acontecimentos é que a Igreja está longe do avivamento porque ela, entre outras coisas, está fria na fé e incrédula para orar – e digo isso não sobre a Igreja como um todo, mas boa parte dela.

Creio, amados leitores, que o texto da Escritura que mais se aplica a muitos que agem com um ceticismo barato em relação aos pais deste bebê, infelizmente é este que mencionarei abaixo. E espero que tal frase proferida pelos apóstolos a Cristo Jesus seja proferida por estes irmãos e irmãs que já não conseguem mais compreender que a Palavra de Deus é a Bíblia e que o Deus apresentado nela é IMUTÁVEL (Hebreus 13.8):

“Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé.” (Lucas 17.5)

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ), na juventude da PIB de Vilar Carioca e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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