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Opinião

Rua Azusa: brancos e negros no mesmo lugar

O que vi e aprendi com o musical

Maycson Rodrigues

Publicado

em

Musical Rua Azusa. (Foto: Wendy Vatanabe Cruz/Divulgação)

No último sábado (07), estive no Theatro Bangu Shopping, no Rio, para assistir ao espetáculo “Rua Azusa, O Musical”, escrito e dirigido por Caique Oliveira e produzido pela Cia Jeová Nissi, que inclusive mantém um lindo projeto social na África e já trabalha com Missões e atividades humanitárias há alguns anos.

Ao compartilhar essa experiência com o leitor, o meu desejo é que você não apenas procure saber quando e onde acontecerá a próxima sessão, mas que também absorva em sua vida as lições que eu extraí desta marcante e impactante produção cultural cristã.

O musical retrata o início do século XX, onde havia nos EUA uma grande segregação racial. Negros e brancos não podiam estar no mesmo lugar – nem na igreja (é isso mesmo que você está lendo).

Foi quando Deus cumpriu mais um de seus propósitos soberanos e eternos trazendo um grande avivamento espiritual em uma igrejinha na Rua Azusa (Los Angeles, CALIFÓRNIA), onde um pastor negro chamado William Joseph Seymour – que era filho de escravos – pregava o evangelho e clamava incessantemente por um derramamento do poder de Deus como nos dias de Pentecostes.

Tal movimento originou muitas denominações conhecidas em nosso país, como a Assembleia de Deus, a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Congregação Cristã no Brasil e outras igrejas pentecostais.

O que vi e aprendi com o musical

Deus é soberano! Ele vem sobre os humildes de espírito e muda a história de gente simples que crê em sua gloriosa Palavra. Deus não precisa do homem para trazer um avivamento, e a verdade é que o avivamento espiritual como o da Rua Azusa é uma das provas de que o homem é totalmente dependente de Deus para viver e ver as transformações sociais acontecerem de forma profunda e contínua – num nível tal que nenhum outro homem consegue frear ou impedir, por mais poder que tenha aqui na terra.

O musical é todo executado com a mais alta qualidade profissional. Cada músico, cada atriz e ator e cada um dos cantores dão o máximo no palco, nos fazendo vivenciar a experiência como se estivéssemos em 1906. Não apenas a qualidade do musical chama atenção, mas também a presença do Espírito Santo em cada nota dos instrumentos e fala ou canto dos artistas era totalmente notória.

Neste musical, vi o quão poderoso é o Espírito de Deus e saí desafiado a crer ainda mais profundamente na eficácia da mensagem do evangelho, pois, de fato, o ser humano pode ser mudado quando o evangelho de Jesus é pregado com paixão, simplicidade e fidelidade.

Algo interessante no musical foi o link com os dias de hoje, pois eles trouxeram a história de um casal onde o marido era pastor, porém racista. A esposa não podia engravidar; logo, eles decidiram adotar. No entanto, o marido não foi fazer a primeira visita ao orfanato. Quando a esposa chegou com a criança (que é negra, ao contrário do casal que era de pele branca), o esposo não conseguiu fingir e a desprezou. Há um diálogo dramático entre eles após a saída da menina, e o marido expõe todo o ódio e racismo que havia em seu coração.

Ao final, há um duro confronto por parte da esposa e um arrependimento é brotado na alma no marido. Ele então revê os conceitos pecaminosos, se arrepende do mal praticado e decide amar a menina, recebendo-a como sua filha.

Em meio a este “vai e vem” na linha do tempo, encontramos a narrativa do avivamento na Rua Azusa e a unidade entre brancos e negros nesta pequena igreja, que agora ganha o noticiário da cidade e causa um verdadeiro impacto que valida a luta de tantos negros pela verdadeira liberdade não só da escravidão, mas também da segregação.

O desafio para os dias de hoje

Sabemos que os EUA ainda continuou (e continua hoje) sofrendo com este grave pecado e um crime em âmbito civil que é o racismo. Sabemos também que, no Brasil, a exemplo da história deste casal, não é muito diferente – inclusive em muitas igrejas. Contudo, vemos que o Deus Triúno é poderoso para mudar as coisas e que a oração dos justos pode muito em seus efeitos.

Parafraseando a Escritura, a “fé move montanhas” (Mateus 17.20). É impossível ao homem remover o racismo no coração de outro homem, assim como é impossível uma nação ser impactada pela Igreja de Jesus como foi os EUA nos dias da “Rua Azusa”; no entanto, “a Deus tudo é possível” (Mateus 19.26).

Encerro com as palavras acerca de William Seymour, com o desejo de que possam nos inspirar a vivermos neste tempo sob uma perspectiva muito maior:

“Agora só uma palavra relativa ao irmão Seymour, que é o líder do movimento debaixo de Deus. Ele é o homem mais manso que eu já encontrei. Ele caminha e conversa com Deus. O poder dele está na sua fraqueza. Ele parece manter uma dependência desamparada em Deus e é tão simples como uma pequena criança, e ao mesmo tempo ele está tão cheio de Deus que você sente o amor e o poder toda vez que você chegar perto dele”. – W H Durham, The Apostolic Faith, fevereiro / março de 1907

Conheça a Cia Nissi: br.cianissi.com

Casado com Ana Talita, seminarista e colunista no site Gospel Prime. É pregador do evangelho, palestrante para família e casais, compositor, escritor, músico, serve no ministério dos adolescentes da Betânia Igreja Batista (Sulacap - RJ), na juventude da PIB de Vilar Carioca e no ministério paraeclesiástico chamado Entre Jovens. Em 2016, publicou um livro intitulado “Aos maridos: princípios do casamento para quem deseja ouvir”.

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