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Sociedade

Pesquisa acusa pastores de formarem “rede de desinformação” sobre a covid-19

Dossiê foi levantado por grupo ligado a Universidade de São Paulo e analisou até profecias.

Michael Caceres

Publicado

em

Silas Malafaia. (Foto: Cimeb)

Na tentativa de levantar a narrativa falsa de que pastores formam uma “rede de desinformação” sobre a covid-19, um grupo ligado a Universidade de São Paulo (USP) formou um “dossiê” que analisa pregações e opiniões de líderes evangélicos.

A pesquisa foi feita pelo Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário (Cepedisa) da USP, o Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD).

“É comum que autoridades não científicas se valham de suas posições hierárquicas dentro da sua rede (religiosa, por exemplo) para questionar orientações do sistema de peritos (mídia, universidades, organizações internacionais, agências especializadas) e respaldarem teorias conspiratórias”, diz o texto.

Para atacar os pastores, os envolvidos se debruçaram sobre sermões, opiniões e informações compartilhadas pelos líderes evangélicos entre 1º de fevereiro e 17 de março, em uma etapa antes das primeiras mortes. Entre os alvos estão pastores que apoiam o governo Bolsonaro.

O pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), é mencionado no “dossiê” por citar “informações distorcidas”, criticando inclusive expressões comuns aos evangélicos, como “poder da oração” e “poder da fé”.

Malafaia é acusado de “uso seletivo” da ciência ao, supostamente, ignorar trechos de uma nota da Sociedade Brasileira de Infectologia citada por ele para corroborar seu ponto de vista, segundo o qual apenas cidades com mais de mil casos confirmados da doença deveriam ser submetidas a isolamento social.

Eles afirmam que o pastor assembleiano não citou que a mesma nota fazia recomendação contrária à cloroquina, que agora vem se mostrando eficiente para reduzir os óbitos por coronavírus, conforme estudo realizado pelo Sistema de Saúde Henry Ford, em Michigan, nos Estados Unidos.

No levantamento, eles também citam o canal católico do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, que faz uma análise escatológica da crise e aponta que o vírus seria um grande laboratório social no qual a humanidade foi propositalmente submetida.

Vídeos de profecias também são avaliados pelo grupo, como uma mensagem publicada no dia 18 de março, onde o pastor Gilmar Fiuza, da União de Mocidades da Assembleia de Deus de Brasília, com mais de 800 mil visualizações, traz o momento em que uma profecia é entregue em um culto.

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