Siga-nos!

Pastor diz que Mangueira foi “profética” em sua releitura de Jesus

Argumentação de Ed René Kivitz recebeu inúmeras críticas.

Publicado

em

ANÚNCIO

O pastor Ed René Kivitz, da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo, usou o Instagram para defender a releitura esquerdista da Estação Primeira de Mangueira sobre Jesus Cristo.

No texto publicado na rede social, Ed René compara o samba-enredo da escola com uma composição de Luiz Gonzaga, que questiona a posição de Deus diante do sofrimento humano.

ANÚNCIO

O pastor parece tentar defender a abordagem militante da escola, planejada com base na “Teologia da Libertação”, usando a graça comum – conceito teológico que se refere à graça de Deus que é comum a toda a humanidade.

“Também a Mangueira perguntou onde está Deus enquanto o feminicídio aumenta, os racistas perdem escrúpulos, a homofobia espalha violência e a gente pobre e negra é assassinada dentro de sua própria casa”, argumenta.

Kivitz também afirma que “desde a Sapucaí ecoa uma resposta” e em seguida afirma que “Jesus está também na mulher violentada, nos LGBTI+ agredidos e desrespeitados, nas crianças cravejadas de balas”.

ANÚNCIO
Pastor diz que Mangueira foi "profética" em sua releitura de Jesus

“Jesus” apanha da polícia (Foto: Reprodução/TV Globo)

A publicação foi criticada por evangélicos que consideraram que o pastor ignorou o ambiente, o propósito pelo qual Jesus veio a Terra e até mesmo a intenção da escola de samba, que sofreu forte influência socialista.

“Deus também não está na boca do teólogo liberal e politicamente correto que relativiza as Escrituras disseminando um ‘Evangelho’ palatável e customizado”, criticou um usuário.

Kivitz gostou da abordagem nada espiritual feita pela Mangueira, que reduziu Jesus a um militante social.

View this post on Instagram

A teologia não é privilégio exclusivo dos teólogos e a religião institucionalizada não detém o monopólio da produção das crenças. Quando Luiz Gonzaga colocou em verso a agonia do sertão, estava fazendo teologia e refletindo sobre o lugar de Deus face ao sofrimento humano: “Quando oiei a terra ardendo Qual fogueira de São João Eu perguntei a Deus do céu, ai Por que tamanha judiação”. Ao narrar suas memórias dos horrores dos campos de concentração nazistas, Primo Levy registra o dia quando diante de dois corpos esquálidos pendurados enforcados, alguém do meio da multidão pergunta “onde está Deus?”. Levy responde profeticamente: “Ali, pendurado na forca!”. Também a Mangueira perguntou onde está Deus enquanto o feminicídio aumenta, os racistas perdem escrúpulos, a homofobia espalha violência e a gente pobre e negra é assassinada dentro de sua própria casa. Desde a Sapucaí ecoa uma resposta: “Jesus está também na mulher violentada, nos LGBTI+ agredidos e desrespeitados, nas crianças cravejadas de balas”! Deus não está no fogo que queima o sertão, está na bravura do sertanejo; Deus não está na brutalidade dos que promovem genocídios, está na força dos resistentes e resilientes; Deus não está na mão violenta que agride e mata pobres, crianças, mulheres e homossexuais, está na solidariedade, no respeito e no amor a todos os seres humanos, especialmente aqueles circunstancialmente vulneráveis; Deus não está nos messias com arma na mão – seja polícia, milícia ou traficante, está naqueles que são pacificadores, seguidores do Príncipe da Paz!

A post shared by Ed René Kivitz (@edrenekivitz) on

ANÚNCIO