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Opinião

O combate deformado da esquerda ao racismo

“Justiceiros sociais” querem dividir as pessoas e criar mais tensões à sociedade

Leandro Bueno

Publicado

em

Casas e comércios vandalizados nos Estados Unidos (Donovan Valdivia / Unsplash)

Com a morte do negro George Floyd, em Minnesota, explodiram vários protestos pelos Estados Unidos e pelo mundo denunciando uma das maiores mazelas que temos no mundo: o racismo. Penso que em nossas igrejas, esse tema deveria ser mais discutido, pois é tema central nas cartas de Paulo, quando diz em Gálatas 3:28: “Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.

Ademais, penso que o cristão deve estar bastante atento para que não caia em armadilhas de como essa questão racial é utilizada hoje em dia por determinados grupos sociais, para fins diversos, geralmente ligados à vontade de dividir ainda mais a sociedade e criar tensões, quando não faturar em cima.

Um exemplo claro disso ocorreu com nossa irmã Fabiana Anastácio, cantora gospel, que faleceu recentemente vitimada pela covid-19. Logo, após a morte, começaram a pipocar vários posts na internet, ironizando a morte dela, com ataques a sua fé cristã, partindo da ideia equivocada de que cristãos defendem estar blindados contra todos os males deste mundo. Jesus nunca nos prometeu isso, mas, que estaria conosco todos os dias, até a consumação dos tempos (Mateus 28:20).

Coisas como estas que aconteceram com a nossa irmã Fabiana mostra como, aparentemente, na cabeça de muitos, não é “toda vida negra que importa”. Geralmente, temos visto, em outros episódios que, quando a pessoa, em geral, é cristã, tem ideias conservadoras e não abraça muitas das pautas identitárias que buscam empurrar para o povo, essa pessoa nem é lembrada, quando não vira motivo de chacota e pilhéria como ocorreu com ela. Isto porque, o perfil da pessoa não se encaixa na narrativa, muitas vezes, bipolar, da mídia.

Outra questão que mostra como a questão racial é usada de forma deformada se dá quando analisamos algumas ideologias do mundo atual. Por exemplo, nos Estados Unidos, recentemente apareceu mais um conceito no debate público chamado INTERSECCIONALIDADES.

É um conceito que possivelmente se verá muito em breve sendo falado à exaustão no Brasil e, a meu ver, acaba criando uma espécie de HIERARQUIZAÇÃO DE SERES HUMANOS. Por exemplo, se a pessoa é mulher, tem que ter mais proteção, do que se for homem. Se for mulher e lésbica, mais proteção ainda. Se for mulher, lésbica e negra, mais ainda. Se for mulher, lésbica, negra e de determinada região do país, mais proteção ainda.

Assim, as tensões sociais tendem a cada dia serem maiores, tal o nível de demandas crescentes e recursos finitos, ainda mais quando sabemos que o ser humano é um ser insaciável por natureza.

Aqui, não se está falando obviamente que minorias e grupos vulneráveis não devam receber uma maior atenção do poder público. O mundo ideal seria aquele que todas as demandas de todos os grupos pudessem ser atendidas, mais isso é inviável no mundo real.

Creio que o cristão deve se pautar na Palavra de Deus e no pragmatismo, ou seja, deve-se fazer por toda a população aquilo que há possibilidade real de ser feito e não algo irrealizável. Assim, se alguém tem 1 milhão de reais para combate ao racismo e outras pautas, tem que trabalhar dentro deste patamar. Se possui mais recursos, invista-se mais, e assim, progressivamente.

Um último aspecto que gostaria de abordar é algo que li em um livro chamado The New Church Ladies: The Extremely Uptight World of Social Justice, do Jim Goad.

A “church lady” era um personagem que havia na TV americana, representada por uma velhinha religiosa ranzinza, que vivia dizendo que todo mundo que pensava diferente dela, ia pro inferno. Neste contexto, o livro usa a imagem dela, fazendo uma analogia com alguns “justiceiros sociais” de hoje.

Estes usam frequentemente para defenderem suas posições, o que se chamou de microagressões. Este termo foi cunhado em 1970 pelo professor de Harvard Chester M. Pierce. Microagressões são essas ofensas, algumas imperceptíveis, menores e rotineiras que ocorrem no dia a dia, e muitas vezes por parte dos tais justiceiros tomam uma proporção fora do comum. Como, nos conflitos diários, são praticamente impossíveis de serem extirpadas, tais microagressões acabam causando mais tensões sociais.

Por exemplo, meu pai frequentemente chamava minha mãe de “nega” no relacionamento pessoal deles. É a forma carinhosa com que ele a trata até hoje. Agora, pense se um destes justiceiros acabassem vendo tal tratamento pessoal e passassem a considerar o meu pai um RACISTA, o que seria algo sem sentido para quem o conhece.

Agora, pegue isso, e multiplique no âmbito de uma sociedade e imagine o quanto de divisão e discórdia isso gera.

Concluindo, penso como um pastor que li em um post recentemente que diz que a igreja é racista quando não reconhece que existe racismo, quando em nome do “somos todos irmãos” impede que o tema seja discutido e uma verdadeira igualdade seja conquistada.

Que Deus possa estar nos iluminando, no sentido de nos olharmos no espelho e ver até que pontos as já citadas palavras de Gálatas ecoam em nossos corações. Amém.

Procurador, professor e escritor, batista e guitarrista amador. Nascido em Brasília. Casado com Andrea Tierno, 2 filhos.

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