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Política

Moraes retira sigilo e revela obscurantismo de decisão contra críticos

PGR citou revista censurada para justificar ação contra “rede articulada”.

Michael Caceres

Publicado

em

Alexandre de Moraes (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (22) retirar o sigilo da decisão que autorizou, na semana passada, operação da Polícia Federal no inquérito contra os críticos da Corte e apoiadores do governo Bolsonaro.

Na decisão, o ministro transcreve o pedido da Procuradoria-Geral da República, que aponta a necessidade de verificar como se opera a disposição da infraestrutura das manifestações pró-governo, incluindo a identificação de “quem executa o contato com as empresas fornecedoras de carros de som e outros aparatos, acaso existentes”.

Ao fazer o pedido da operação, o PGR chega a citar a revista “Crusoé”, que foi censurada pelo ministro em outra ocasião, quando revelou que o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, foi citado em delação premiada na Lava Jato.

Na reportagem citada, a revista revela uma suposta “rede articulada de influenciadores digitais catalizando a propagação de mensagens a simpatizantes de bandeiras comuns ao governo”. O Ministério Público aponta a necessidade de investigar esses influenciadores.

Alexandre de Moraes diz que as informações apresentadas “confirmam a real possibilidade de existência de uma associação criminosa” e diz que o Ministério Público apontou diversos itens que, supostamente, comprovariam os crimes, como o uso de hashtags, influenciadores digitais e o contato com parlamentares.

“Em face desses indícios apresentados, torna-se imprescindível o deferimento das diligências, inclusive com afastamento excepcional de garantias individuais”, justifica. O ministro ainda aponta que “direitos e garantias individuais, consequentemente, não são absolutos e ilimitados”.

O ministro estabelece então que “as diligências deverão ser cumpridas pela equipe do Delegado Federal Igor Romário de Paula” e estabelece que os dados da operação fiquem em “segredo de justiça”.

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