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Metade das crianças trabalhadoras brasileiras trabalha em condições perigosas

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Quase metade dos 1,8 milhão de crianças trabalhadoras brasileiras trabalham em condições perigosas, mostraram dados do governo nesta quinta-feira, em meio a esforços para convencer os brasileiros, incluindo o presidente, de que o trabalho infantil é prejudicial.

Metade das crianças trabalhadoras brasileiras trabalha em condições perigosas

Fonte: (Reprodução/Internet)

Os dados

É a primeira vez que a agência de estatísticas do Brasil coleta dados sobre formas perigosas de trabalho infantil, que incluem trabalho sexual, tráfico de drogas e manuseio de máquinas pesadas.

“Este é um número muito preocupante”, disse Ana Maria Villa Real, principal promotora do Brasil sobre trabalho infantil.

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“Temos crianças e adolescentes … manipulando agrotóxicos, expostos à radiação solar, a animais peçonhentos.”

É ilegal para crianças menores de 16 anos trabalhar no Brasil, exceto para aprendizes que podem começar aos 14 anos, mas não podem fazer trabalhos perigosos.

O presidente Jair Bolsonaro disse no ano passado que o trabalho, em qualquer idade, traz dignidade e que começou a trabalhar aos oito anos, refletindo uma visão comum no Brasil de que o trabalho impede que os jovens se envolvam com gangues ou drogas.

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Enquanto cerca de 97% das crianças brasileiras vão à escola, os dados de quinta-feira da agência nacional de estatísticas mostraram que apenas 86% das crianças trabalhadoras vão à escola, vista pelos defensores dos direitos da criança como uma evidência dos danos causados ​​pelo trabalho infantil.

Os meninos representam 66% das crianças que trabalham ilegalmente.

Mão de obra barata

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As crianças trabalhadoras ganham muito pouco dinheiro, mostram os dados, com os de 16 e 17 anos recebendo em média R$ 561 – cerca de metade do salário mínimo mensal. Crianças de cinco a 13 anos recebiam R$ 163, ou 15% do mínimo legal.

“Isso mostra como o trabalho infantil é barato. É por isso que está tão difundido”, disse Villa Real.

Os dados foram coletados em 2019 e não levam em consideração o impacto da nova pandemia de coronavírus, que os especialistas em direitos da criança temem ter causado o aumento do trabalho infantil.

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Os números mostram uma queda de 17% no trabalho infantil no Brasil desde 2016, última vez que a pesquisa foi publicada.

O Ministério Público do Trabalho disse que isso corresponde à sua experiência nos últimos anos, com relatos de trabalho infantil caindo em dois terços desde 2015 para 1.799 reclamações recebidas em 2020.

“Isso corrobora a tese de que a subnotificação está crescendo, (ou a tolerância com o trabalho infantil)”, afirmou em nota.

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Os últimos dados permitirão a implementação de novas políticas, afirmou Antonio de Oliveira Lima, procurador do Trabalho que atua junto às prefeituras no combate ao trabalho infantil por meio da conscientização de pais, professores e alunos nas escolas.

“Agora, com base nesses dados, podemos atualizar os debates (sobre o trabalho infantil) e começar a trabalhar”.

Traduzido e adaptado por equipe O Verbo News
Fonte: Reuters