Siga-nos!

Sociedade

Derrota por 29-0 reabre debate sobre o futebol feminino no Brasil

Publicado

em

ANÚNCIO

Quando a equipe feminina do Taboão da Serra perdeu uma partida da liga por 29-0 no mês passado, parecia que as coisas dificilmente poderiam piorar para o pequeno clube sediado fora da maior cidade do Brasil, São Paulo.

Derrota por 29-0 reabre debate sobre o futebol feminino no Brasil
Foto: (reprodução/internet)

A série de derrotas

A terrível perda chegou às manchetes em todo o mundo, mas não foi a gota d’água. Perdeu os três jogos seguindos por 14-0, 10-0 e 16-0 e foi eliminado do campeonato paulista na fase de grupos.

ANÚNCIO

Os resultados geraram mais um debate sobre a competitividade do futebol feminino no Brasil. A reação negativa – e, claro, o ridículo sexista – era ainda mais previsível.

Leia também: Pfizer oferece ao Brasil oferta de milhões de doses de vacinas

Quando perdemos “falaram que parece que todo o time tem COVID-19, não se preocupe em jogar, essas coisas, né”, disse o capitã Lohane Ferreira.

ANÚNCIO

Falavam “como se futebol fosse só para homens, que as mulheres deveriam ficar em casa lavando louça, como escravas dos homens. A maioria das jogadoras recebeu esse tipo de mensagem.”

Os resultados e as mensagens refletem os desafios enfrentados pelas jogadoras de futebol no Brasil.

Fique por dentro: Brasil diminui infecções por COVID-19 e popularidade do Bolsonaro aumenta

A nação sul-americana é famosa como a casa espiritual do futebol; a cidade natal de Pelé, Ronaldo Nazario e Neymar; e o único país a vencer a Copa do Mundo masculina cinco vezes.

A seleção feminina também é competitiva no cenário mundial, mas enquanto jogadoras de ponta como Marta, a única mulher a ganhar o prêmio de Melhor Jogadora do Ano seis vezes, podem ter uma vida confortável no exterior, a maioria que joga no Brasil luta.

Mesmo os clubes seniores enfrentam acusações de não oferecer às equipes femininas o mesmo equipamento ou instalações que as equipes masculinas e remuneração igual é um sonho distante.

Veja também: Fitch Ratings afirma sobre dívida do Brasil: perspectiva negativa

Taboão só garantiu um campo de treinamento três dias antes do início da liga deste ano e seus jogadores assumem quase toda a responsabilidade de se preparar, treinar e se equipar.

“Não temos nenhum outro tipo de ajuda, nem mesmo chuteiras”, disse a meio-campista Alieni Baciega Roschel.

“Todos os jogadores têm de pagar pelo seu equipamento. Eles pagam suas próprias despesas para chegar ao treinamento. Cada um gasta entre 20 reais e 30 reais ($ 3,77 e $ 5,66) por dia com transporte, alguns demoram duas ou até três horas para chegar em casa, alguns vêm direto do trabalho.”

Leia também: Gol diz que pode retomar o uso do Boeing 737 Max até o final do ano

Futuro

Sua eliminação significa que não haverá partidas competitivas até pelo menos no ano que vem e colocou em dúvida o futuro do time feminino.

Taboão, como muitos clubes do Brasil, enfrenta dificuldades financeiras e está decidindo se vai concentrar todos os seus recursos na seleção masculina no próximo ano.

Os jogadores, porém, receberam emprestado um campo de treinamento e juraram continuar jogando. Eles estão otimistas sobre seu futuro e seu passado recente.

Veja também: Brasil relata 34.091 novos casos de coronavírus, 756 mortes

“Entrar em campo e vê-los (as jogadoras da Seleção Brasileira) é emocionante, a melhor experiência que já tive”, disse Ferreira sobre alguns de seus adversários mais ilustres.

“Apesar de todas as dificuldades, é a melhor coisa que já fiz na minha vida. Posso dizer aos meus filhos e netos que joguei contra eles”.

Traduzido e adaptado por equipe O Verbo News
Fonte: Reuters

ANÚNCIO