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Opinião

As verdadeiras heroínas de Hollywood

…. não são conhecidas do grande público

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Hollywood foi sacudida por denúncias de abusos no último ano. Você certamente já ouviu falar sobre este tema e teve tempo suficiente para formar sua opinião.

Algumas carreiras acabaram e outras estão em stand by por tempo indeterminado. Astros até então intocáveis se transformaram em párias sociais.

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O mundo saudou a novidade. Enfim os poderosos estavam pagando por suas falhas.

E precisam pagar mesmo.

Mas isso de forma alguma torna as atrizes de Hollywood que depois de anos “romperam o silêncio” em heroínas.

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Você provavelmente ouviu muita gente lhes carimbar este ou outros rótulos semelhantes. A postura das atrizes, por serem pessoas públicas, incentivaria outras mulheres a denunciar abusos sofridos.

Tal qual homens, que também se manifestaram para revelar investidas impróprias de outros homens, sendo célebre o caso de Kevin Spacey.

É realmente muito importante que as mulheres sintam segurança para exporem situações de verdadeiro abuso. Mas isso não heroiciza atrizes que foram coniventes com este sistema, visando objetivos próprios.

O maior figurão desmascarado foi o produtor Harvey Weinstein. Diversas atrizes denunciaram investidas impróprias do produtor ao longo dos anos. Acuadas, elas silenciavam ou porque não queriam perder papéis, ou porque temiam o poder de Weinstein nos bastidores da indústria.

E é por isso que não vejo heroísmo algum na postura das atrizes hollywoodianas: as reconheço como vítimas sim, mas não heroínas quebrando paradigmas.

As que quebraram paradigmas foram as que não aceitaram construir uma carreira em troca de favores íntimos.

As verdadeiras heroínas de Hollywood não são conhecidas do grande público. Nós não sabemos seus nomes, e não podemos cumprimentá-las nominalmente. São mulheres que tentaram carreira no cinema mas não conseguiram, porque não aceitaram as contrapartidas que produtores, diretores de elenco, atores famosos e etc. lhes exigiam. Mulheres que abriram mão do sonho de serem estrelas, mas não venderam sua dignidade.

Estas são dignas do meu respeito.

É muito cômodo que atrizes famosas, premiadas, consolidadas, milionárias, agora se encham de coragem conveniente e se tornem justiceiras.

O que elas esquecem de revelar é que ao aceitarem as investidas dos grandões da indústria cinematográfica para não perderem papéis, ocuparam os lugares de outras aspirantes a atrizes, que com mais dignidade que elas, não se venderam.

Quem é mais herói? Quem assume a participação num esquema corrupto ou quem se nega a participar da corrupção?

Aceitar investidas impróprias para não perder espaço profissional é uma forma de suborno. Não glorifico corrupções, nem corruptores, nem corrompidos.

Este texto provavelmente será acusado de machismo. Não será nenhuma surpresa, mesmo que ele defenda as mulheres.

Só que não defende as lacradoras, as famosas, as divas, as que ganharam milhões fazendo filmes cujos papéis conseguiram aceitando jogar o jogo.

Defende as que disseram não.

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É historiador e professor. Debruça-se sobre política, literatura estrangeira e teologia. É editor e colunista do portal Voltemos à Direita, colunista do portal Gospel Prime e coautor do livro “Por que sou conservador”.