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As provas arqueológicas do reinado de Ezequias

Selos, inscrições e anais mostram veracidade histórica da Bíblia.

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Ezequias, décimo terceiro rei de Judá, filho do rei Acaz, nasceu em 739 a.C e morreu em 687 a.C, segundo o historiador Edwin Thiele. Seu reinado durou de 716 a.C a 687 a.C.

Ezequias ficou conhecido pelas reformas que promoveu como a proibição da veneração a outras divindades no templo de Jerusalém e o retorno do culto ao Deus de Israel, assim como a restituição da comemoração da Páscoa.

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“Depois disso Ezequias enviou mensageiros por todo o Israel e Judá, e escreveu cartas a Efraim e a Manassés, para que viessem a casa do senhor em Jerusalém, a fim de celebrarem a páscoa ao senhor Deus de Israel” (II Crônicas 30:1)

Durante seu reinado, o reino de Judá sofreu repetidas incursões militares assírias. Em uma delas, segundo relata a Bíblia, o rei pagou a quantia de trezentos talentos de prata e trinta de ouro.

Até mesmo as portas e umbrais do templo que eram cobertos de ouro foram utilizados como forma de tributo a Assíria. Ainda assim, o rei Senaqueribe enviou seu Rabsaqué para desafiar Ezequias e o Deus de Israel.

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Se assemelhando ao relato bíblico, achados arqueológicos mostram registros assírios em acadiano, selos e outros registros extra bíblicos sobre o reinado de Ezequias e diversos acontecimentos do período, sendo possível obter inúmeras referências cruzadas.

Em 2009, foi descoberto um selo nas escavações em Ophel, em 2015, o selo foi traduzido e revelou os seguintes dizeres: “Ezequias [filho de] Acaz, Rei de Judá”.

Selo de Ezequias. (Dr. Eilat Mazar / Ouria Tadmor)

Além do selo, diversos outros achados corroboram com a narrativa bíblica e trazem luz a outros acontecimentos, como é o caso do túnel e da inscrição de Siloé.

O túnel foi construído para um possível cerco possibilitando a Jerusalém continuar recebendo suprimento de água, tendo em vista o cerco que Senaqueribe estaria armando contra Jerusalém. II Reis 20:20ª diz:

“Ora, o restante dos atos de Ezequias, e todo o seu poder, e como fez a piscina e o aqueduto, e como fez vir a água para a cidade[..]”.

Dentro do túnel foi encontrado uma inscrição que relata como foi construído.

Inscrição de Siloé. (G. Dall’Orto)

O prisma ou os anais de Senaqueribe, é um dos documentos históricos extra-bíblicos que relatam os acontecimentos dos dias de Ezequias, o cerco de Jerusalém e o próprio rei.

Existem três prismas contendo os mesmos escritos, um deles no Instituto oriental de Chicago, o outro no museu de Israel e o terceiro no Britsh Museum.

O prisma de Senaqueribe (British Museum)

A seguir um trecho traduzido onde o registro assírio sobre o cerco e o pagamento de tributos entram em consonância a narrativa bíblica.

Eu fixei nele. E de Ezequias,[rei dos] judeus, que não se submeteu ao meu jugo, 46 ​​das suas cidades foram cercadas, e fortalezas, e as cidades menores que os rodeavam e que eram inumeráveis, pelo golpe de carneiros e por o ataque de motores, e pelo ataque de soldados de infantaria, e … eu sitiei, capturei 200.150 pessoas, pequenas e grandes, homens e mulheres, cavalos e mulas, e jumentos, camelos, bois e ovelhas inumeráveis do meio deles eu os tirei e os reconheci como despojos. [Ezequias] como um pássaro enjaulado em Jerusalém, sua cidade real, eu fechei. Bancos contra ele vomitei, e todo aquele que saía da porta da sua cidade, Eu retrocedi. Recompus o pecado dele. Suas cidades das quais eu havia destruído os seus domínios, eu a cortei, e a Mitinti, rei de Asdode, a Padi, rei de Ekron, e a Sillibel, rei de Gaza, eu dei e Além do antigo tributo, que eles pagavam anualmente, tributo e presentes à minha soberania, acrescentei e coloquei sobre eles. Quanto a Ezequias ah, o medo da majestade de meu senhorio o dominou, e o Urbi (árabes) de seus fiéis guerreiros, que, a fim de fortalecer Jerusalém, sua cidade real, ele trouxera, o deixaram. 30 talentos de ouro, 800 talentos de prata e pedras preciosas. E sandu-stones(?), e … e grandes … pedras, e sofás de marfim, e assentos de marfim, e peles de elefante, e marfim, e madeira e diversas coisas, e um grande tesouro, e suas filhas, e as mulheres de seu palácio, e os músicos do sexo masculino, e as músicas do sexo feminino, no meio de Nínive, a cidade da minha soberania, depois eu ele trouxe; e para dar tributo e submeter-se, ele enviou seu enviado.[1]

As escavações em Ophel coordenadas pela professora da Universidade Hebraica de Jerusalém Dra. Eilat Mazar continuam a impressionar com inúmeras descobertas da época do reinado de Ezequias como um selo com o nome Isaias que poderia ser do profeta bíblico de mesmo nome, além de achados recentes de um esconderijo datado da revolta judaica e do provável palácio de Davi.

A Arqueologia irá encontrar mais referências as Sagradas Escrituras? É bem possível que exista selos e moedas dos tempos bíblicos sendo comercializado no mercado de antiguidades.

Até antes da descoberta do selo em 2009 e sua tradução em 2015 os selos ligados ao rei eram vistos como falsos, com a continuação dos trabalhos poderemos entender mais a respeito daquele período, mostrando assim que a Bíblia não trata-se apenas de um livro religioso, mas também de uma narrativa histórica e cada vez mais os registros arqueológicos mostram essa realidade que outrora era combatida por acadêmicos.

Referências Bibliográficas para consulta:

[1] Tradução original feita pelo professor Luckenbill em 1924;
ALMEIDA, J. F. A. tradutor A Bíblia Sagrada. 2011.
BOROWSKI, Oded. Hezekiah’s Reforms and the Revolt against Assyria. The Biblical Archaeologist, v. 58, n. 3, p. 148-155, 1995.
BROSHI, Magen. The expansion of Jerusalem in the reigns of Hezekiah and Manasseh. Israel Exploration Journal, p. 21-26, 1974.
CROSS, Frank Moore. King Hezekiah’s seal bears Phoenician imagery. Biblical Archaeology Review, v. 25, n. 2, p. 42, 1999.
JOSEFO, Flávio. História dos hebreus. CPAD-Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2015.
LUCKENBILL, Daniel David. The annals of Sennacherib. Wipf and Stock Publishers, 2005.
MILLARD, Allan R. Sennacherib’s attack on Hezekiah. Tyndale Bulletin, v. 36, p. 61-77, 1985.
TODD, E. W. The reforms of hezekiah and Josiah. Scottish Journal of Theology, v. 9, n. 3, p. 288-293, 1956.
VAUGHN, Andrew G. Theology, history, and archaeology in the Chronicler’s account of Hezekiah. Atlanta: Scholars Press, 1999.

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Graduando em Arqueologia pela Universidade Federal de Sergipe, membro da Assembleia de Deus e pesquisador do Antigo Testamento e da Arqueologia do Oriente Próximo.